A Emancipação Negra e a Internacional Comunista

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Por John Riddell.** Trad. Betto della Santa.***

Um dos eventos mais importantes na história da America negra ocorreu na distante Moscou no início da década de 1920. Lá, em uma conferência de revolucionários de todo o mundo, dois revolucionários negros lideraram o Quarto Congresso da Internacional Comunista – ou Comintern – na adoção de uma estratégia mundial para a emancipação negra.

Este encontro histórico ajudou a abrir a porta para o desenvolvimento de uma influente corrente de marxistas negros nos Estados Unidos, Caribe e África.

Mas afinal por que os dois delegados negros – Otto Huiswoud e Claude McKay – tiveram que viajar meio mundo para elaborar uma estratégia de libertação negra? Por que eles não simplesmente pegaram o metrô para a sede do movimento comunista dos EUA, bem em Nova York, onde eles viviam?

Qual foi o contributo decisivo da Comintern para o desenvolvimento do marxismo entre os negros dos EUA?

Os trabalhos do Quarto Congresso do Comintern, que receberam uma publicação magistral há poucos anos em inglês, nos ajudam a responder a essas perguntas.(1) Mas antes de considerar o documento do Congresso, vamos reconstituir como Huiswoud e McKay vieram a fazer sua longa viagem por navio e trem para Moscou.

Ressurgimento negro

No início do Século XX, a Segregação de Jim Crow foi imposta em todo o Sul dos EUA, onde a maioria dos negros morava, privando-os de voto e outros direitos civis e sujeitando-os ao terror racista. Em duas décadas, no entanto, um novo impulso para a resistência foi sentido em setores da comunidade negra.

Este ressurgimento encontrou expressão em um movimento nacionalista e pan-africanista de massa – a Associação Universal de Melhoria do Negro ou UNIA –, liderada por Marcus Garvey, que funcionava nos EUA, no Canadá e em toda a região do Caribe. Esta radicalização também deu origem a uma corrente revolucionária agrupada em torno do Crusader, uma publicação do movimento negro fundada em Setembro de 1918 por Cyril Briggs. Suas opiniões e trajetória tinham muito em comum com o nacionalismo revolucionário negro mais tarde associado à figura histórica de Malcolm X.

O resultado da Primeira Guerra Mundial apartou os negros na sociedade racista dos EUA. Como Jacob Zumoff observa: “Muitos intelectuais negros se sentiram traídos quando eles perceberam que o discurso do pós-guerra de [Presidente Woodrow] Wilson sobre ‘autodeterminação’ e ‘democracia’ excluía os negros em todo o mundo.”(2) Quando os poderes vitoriosos se reuniram na Conferência de Versalhes em Janeiro de 1919, ficou claro que o Tratado de Paz que estavam redigindo confirmaria o domínio colonial sobre os povos negros na África e no Caribe.

Enquanto isso, a jovem República dos Soviets, excluída da Conferência de Versalhes, estava implementando a autodeterminação dos povos oprimidos dentro de suas fronteiras e defendendo-o em todo o mundo. WA Domingo, um escritor negro radical em Nova York, observou então que os soviéticos “estão dispostos a estender o princípio da autodeterminação até as massas trabalhadoras da África, da Ásia e de todas as colônias”, enquanto buscam alcançar a “todos os povos oprimidos do mundo.”(3)

Manifesto do Comintern 
Em março de 1919, revolucionários socialistas de mais de duas dúzias de países se encontraram em Moscou para fundar a Internacional Comunista. O manifesto da conferência anunciou:

Na melhor das hipóteses, o programa de Wilson não tem como objetivo mudar o rótulo da escravidão colonial … Escravos coloniais da África e da Ásia: a hora da ditadura proletária na Europa também será a hora da sua libertação. (4)

De acordo com Claude McKay, um comunista negro pioneiro nos Estados Unidos, esta passagem do manifesto despertou o interesse entre muitos grupos de negros radicais, que distribuíram o documento nos Estados Unidos.(5) Aqui estava uma promessa inequívoca de lutar pela libertação dos negros nas colônias da África e das Índias Ocidentais.

Por implicação, essa promessa aplicava-se aos negros nos Estados Unidos também. Essa conclusão, não declarada na reunião do Comintern de 1919, foi explicitada no segundo congresso internacional em Moscou no ano seguinte. As teses do Congresso de 1920 sobre questões nacionais e coloniais, redigidas por Lênin, declararam: “Todos os partidos comunistas devem apoiar diretamente o movimento revolucionário entre as nações que são dependentes e não têm direitos iguais (por exemplo, a Irlanda, os negros na América, e assim por diante), e nas colónias.”(6) O Congresso de 1920 também especificou que o apoio ativo para a libertação colonial era uma condição prévia para a adesão à Internacional.

Durante a discussão do Congresso sobre a questão colonial, o delegado norte-americano John Reed endereçou uma nota a Lenin, perguntando se esta seria uma ocasião apropriada para falar sobre negros nos Estados Unidos. A resposta escrita de Lênin, que foi preservada, foi: “Sim, é absolutamente necessário!”. Reed então apresentou à ocasião uma poderosa acusação sobre a opressão racista nos Estados Unidos para os delegados de todos os países.(7)

Alguns meses antes, em outubro de 1919, o jornal de Briggs’s anunciou a formação da Irmandade de Sangue Africana para a Libertação e Redenção Africanas, a ABB. Esta associação revolucionária representava, nas palavras de Mark Solomon, “patriotismo raça, anticapitalismo, anticolonialismo e defesa organizada contra a agressão racista.” (8) Seus líderes, incluindo Briggs e McKay, procuraram unificar o nacionalismo negro com o socialismo revolucionário. Eles falaram fortemente em apoio à URSS e ao Comintern.

Dois anos mais tarde, a ABB resumiu sua visão do Comintern em uma declaração programática: “A Terceira Internacional [Comintern] tem enfaticamente instruido seus membros a ajudar as raças mais escuras e de todos os outros povos oprimidos em suas lutas de libertação total.”(9)

Reorientando o comunismo dos EUA 

O movimento comunista norte-americano não desempenhou quase nenhum papel nesta aproximação. Até 1921, ainda estava bloqueado em um dogmatismo estéril que o excluía da luta negra. O líder comunista norte-americano James P. Cannon descreveu a origem de sua posição da seguinte forma:

O movimento socialista anterior, no qual o Partido Comunista foi formado, nunca reconheceu a necessidade de um programa especial sobre a questão dos negros. Considerou-se pura e simplesmente como um problema econômico, parte da luta entre os trabalhadores e os capitalistas; nada poderia ser feito sobre os problemas especiais de discriminação e desigualdade a parte do socialismo.

Cannon cita Eugene Debs, “o melhor dos socialistas anteriores”, ao dizer: “Não temos nada de especial para oferecer ao Negro.” (10)

As observações de Reed em Moscou em 1920, apesar de sua militância, não ultrapassaram esse quadro. No entanto, os líderes da ABB queriam fazer parte do Comintern, e isso significava juntar-se à sua secção dos EUA. Em Dezembro de 1921, Briggs, como delegado amigo da ABB, participou da convenção dos comunistas norte-americanos que fundou o WP, o Partido dos Trabalhadores norte-americano.

A convenção retribuiu ao reconhecer, pela primeira vez, a necessidade de fazer trabalho educativo entre os trabalhadores negros e convencer os trabalhadores brancos que “para vencer, eles devem apoiar as raças oprimidas na luta contra a perseguição racial e ajudá-los na luta deles para garantir a igualdade econômica, social e política.”(11) Posteriormente, a ABB evoluiu para uma aliança próxima e, finalmente, se uniu ao movimento comunista dos EUA.

A questão negra no quarto Congresso 

Dois líderes da ABB participaram do Quarto Congresso do Comintern, realizado em Moscou em novembro-dezembro de 1922, e receberam o status de delegados com voto consultivo.

O primeiro, Huiswoud, se juntou ao Partido Socialista em 1918 e, como parte de sua ala esquerda, participou da fundação do movimento comunista norte-americano no ano seguinte. Ele participou do Quarto Congresso como delegado oficial do Partido Comunista dos EUA (CP) e também como representante da ABB. Parece não ter deixado registro de sua experiência em Moscou. (12)

O segundo delegado negro, McKay, deixou um vívido memorial de sua visita a Moscou, intitulado A Long Way from Home.(13)

McKay, um poeta amplamente conhecido tanto dos negros dos EUA como internacionalmente, abriu caminho em Moscou por conta própria, sem credenciais do PC. Inicialmente, a maioria da delegação do PC dos EUA procurou excluí-lo do Congresso, aparentemente porque ele concordou com a minoria no partido que pediu que ele emergisse de sua existência subterrânea. No entanto, McKay ganhou o apoio de Sen Katayama, um veterano marxista japonês e líder do trabalho do Comintern entre os povos coloniais. Durante seus muitos anos de residência nos EUA, Katayama adquiriu uma boa percepção do racismo e opressão negra ao Norte das Américas.

Outro fator na aceitação de McKay foi a celebração de sua presença pelo povo russo. Nas palavras de McKay:

Nunca na minha vida eu me senti mais orgulhoso de ser africano, negro e sem titubeios a respeito… As ruas de Moscou estavam cheias de multidões ansiosas antes do início do Congresso. Enquanto eu tentava atravessar o Tverskaya, de repente, fui cercado por uma multidão, jogado no ar em triunfo e um sem-número de vezes, sendo carregado em êxtase de ombros amigáveis​​… Segui dessa maneira um decurso de êxtase coletivo e surpresas várias. Eu fui tomado subitamente por um torvelinho de doces emoções. (14)

O Congresso estabeleceu uma comissão, presidida por Huiswoud, para elaborar teses sobre a questão negra. McKay tomou assento, como convidado, e, a convite da comissão de sessões, junto com Huiswoud, dirigiu-se ao pleno do Congresso.

Huiswoud expõe o racismo dos EUA 

Referindo-se à decisão de 1920 do Congresso do Comintern sobre a importância da libertação colonial na revolução mundial, Huiswoud disse ao Congresso que “a questão negra é outra parte da questão racial e colonial.” (15)  Parafraseando outro documento do Congresso, ele contrastou o movimento social-democrata mundial, “uma Internacional de trabalhadores brancos”, com o Comintern, “uma Internacional dos trabalhadores do mundo”.

“Embora a questão negra seja principalmente de natureza econômica”, acrescentou Huiswoud, “devemos incluir em nossa análise os aspectos psicológicos da questão”. Ele usou a palavra “psicológico” da mesma forma que Clara Zetkin, abordando o Congresso dois dias mais tarde sobre a condição das mulheres, para denotar o que os marxistas chamam agora enquanto “opressão.” (16)

“A questão da raça … ainda desempenha um papel importante”, disse Huiswoud. ”Os negros ainda têm a marca da escravidão decorrente do tempo colonial”. Ele descreveu as condições no Sul, onde “o linchamento de um Preto é a ocasião para o prazer”, e os sindicatos, muitos dos quais excluíam os trabalhadores negros. Em retaliação, os negros muitas vezes se recusaram a respeitar as linhas de piquete de tais sindicatos racistas, furando greves, ele observou, parafraseando os pensamentos de tais trabalhadores: “Eu tenho o direito  de fazer isso pela Lei de Deus. Preciso proteger minha vida”.

Ao analisar o que ele considerava as três organizações mais significativas do setor, Huiswoud criticou a NAACP por “solicitar que a classe capitalista melhorasse as condições dos negros, o que … é simplesmente uma forma de implorar de joelhos”. A Organização Garvey, apesar de suas falhas, “mobilizou negros em ação contra o imperialismo”e despertou a consciência racial.’ A Irmandade de Sangue Africana, pelo contrário,  seria “uma organização negra radical cujo programa é baseado na destruição do capitalismo.”(17)

McKay desafia os comunistas dos EUA 

O discurso de McKay no Congresso descreveu os negros como “uma raça de trabalhadores – trabalhadores de madeira e carregadores de água – uma raça que pertence à porção mais oprimida, explorada e subjugada da classe trabalhadora do mundo”. Os capitalistas em todos os lugares tentam jogar negros e brancos uns contra os outros, disse ele, citando as tentativas capitalistas dos EUA de “mobilizar toda a raça negra nos Estados Unidos contra a classe trabalhadora organizada”.

McKay, que organizou os comunistas dos EUA como partido político legal e com atuação pública, disse ao Congresso que este curso não era possível no Sul dos EUA, onde negros e brancos estavam legalmente impedidos de se reunirem.

“Quando enviamos camaradas brancos para o Sul”, disse ele, “eles geralmente são expulsos pela oligarquia branca, e se eles não deixam a área, a multidão branca se volta para eles e os chicoteia, lincha e enxota-os. Mas, quando enviamos camaradas negros, eles não voltam novamente, porque são violentados e queimados”.

Infelizmente, os socialistas e os comunistas nos Estados Unidos conduziram a luta contra a “divisão racial e o preconceito racial … com grande cautela, porque ainda há preconceitos tão fortes também entre os socialistas e comunistas americanos”, disse McKay. “O maior obstáculo que os comunistas nos Estados Unidos devem superar é que eles devem antes de tudo libertar-se de suas atitudes para com os negros antes que eles possam ter sucesso em alcançar os negros através de qualquer forma de propaganda radical.” (18)

Embora os dois delegados discordaram sobre o caráter clandestino do PC, eles estavam, como McKay escreveu na época, “todos em acordo sobre o problema puramente negro.” (19)

Teses sobre a luta negra 

A comissão sobre a questão negra apresentou um projeto de resolução, que foi encaminhado para edição. O rascunho final, apresentado pelo delegado dos EUA, Rose Pastor Stokes, foi mais arrazoado e desenvolvido do que o texto original. Apresentou as mesmas recomendações, com uma exceção: uma declaração no primeiro rascunho para que “o trabalho entre os negros seja realizado principalmente por negros” foi abandonada e substituída por uma promessa de luta pela igualdade total e direitos políticos e sociais iguais para os negros .(20)

Essa mudança deve ser considerada ao lado do compromisso da mesma resolução para convocar uma conferência internacional de negros e a chamada pública do líder do Comintern, Leon Trotsky, quatro meses após o Congresso, para que os comunistas dos EUA reunissem uma equipe de “cultos, abnegados e jovens negros” que levariam a mensagem de revolução às massas negras. (21)

A resolução é similar em muitos aspectos às concepções da Irmandade Negra Africana.(22)  Traz os seguintes pontos:

  1.                      Um sentimento de revolta entre os povos coloniais “despertou a consciência racial entre milhões de negros, oprimidos e humilhados por séculos, não apenas na África, mas também, e talvez até mais, nos Estados Unidos”.
  2.                      A história dos negros nos Estados Unidos preparou-os para desempenhar um papel importante na luta de libertação de toda a raça africana.
  3.                      A Internacional Comunista vê com satisfação a resistência dos negros explorados aos ataques de seus exploradores, já que o inimigo de sua raça e do trabalhador branco é idêntico: capitalismo e imperialismo. O movimento internacional negro deve ser organizado com base nessa plataforma nos Estados Unidos, África, América Central e Caribe.
  4.                      O Comintern procura mostrar aos negros que os “operários e camponeses da Europa, Ásia e América também são vítimas dos exploradores imperialistas” e estão lutando pelos mesmos objetivos que os negros.
  5.                      A assistência de nossos seres humanos negros oprimidos [é] absolutamente necessária para a revolução proletária e a destruição do poder capitalista”. Os comunistas deveriam “aplicar as [Resoluções do Segundo Congresso] sobre a questão colonial sobre a situação dos negros” que formam “uma parte essencial da revolução mundial.”
  6.                      A Internacional Comunista deve: 
    a) Apoiar todos os movimentos negros que “minam ou enfraquecem o capitalismo ou colocam barreiras no caminho da sua expansão”. 
    b) Lutar pela igualdade das raças branca e negra, e para salários iguais e direitos políticos e sociais iguais.
    c) Opor-se ao obstáculos à sindicalização de cor; apoiar a organização sindical de trabalhadores negros. 
    d) Tomar medidas imediatas para convocar uma conferência geral ou congresso de negros em Moscou.

A ideia central das teses – a de uma luta negra intercontinental pela liberdade – não veio do Comintern ou do Partido bolchevique da Rússia. Em vez disso, era uma estratégia amplamente realizada naquela época entre os radicais negros de origem das Índias Ocidentais, que contavam entre seus membros com Briggs, McKay, Huiswoud e também Garvey. Foi adotado, em diferentes formas, não só pela Fraternidade Negra Africana, mas pela UNIA de Garvey e por Web duBois da NAACP. (23)

Após o Congresso, foi necessário adiar o projeto de um congresso dos negros. Em outros aspectos, a resolução estabeleceu o quadro para uma reorientação do PC nos Estados Unidos e o desenvolvimento do seu trabalho entre os negros até o final da década, quando uma posição diferente foi adotada a pedido de Moscou.

A contribuição do Comintern 

No que, então, o Comintern contribuiu para a fusão de uma corrente revolucionária negra com o movimento comunista mundial?

É impressionante o que não se vê no registro do Quarto Congresso e nos documentos relacionados. Não há referências ou citações dos escritos passados ​​dos líderes bolcheviques. Na verdade, era extremamente raro que os líderes dos Comintern naqueles anos apoiassem discursos em citações ou argumentos de autoridade. Em vez disso, eles baseavam seus argumentos principalmente na observação da realidade corrente.

Também não encontramos tentativas dos líderes bolcheviques ou terceiro-internacionalistas com base em Moscou de instruir os delegados negros quanto ao curso correto para sua luta. Sua declaração mais substancial, feita por Trotsky, enfoca a importância do trabalho educacional dos comunistas negros entre as massas negras.

Quanto à referência de Lênin nas teses de 1920 do Comintern para os negros dos EUA como uma nação, não foi mencionada no Quarto Congresso ou discutida pela Internacional no início da década de 1920. Em vez disso, o Comintern adotou um termo que já não está em voga hoje em língua inglesa, mas que vigora entre os revolucionários negros: a raça negra ou africana.

Significativamente, as duas referências a documentos revolucionários anteriores dos delegados negros em Moscou tratam, ambas, do primado dos movimentos revolucionários entre os povos não-brancos do mundo. McKay citou o compromisso do Comintern, na sua fundação, de libertar “os escravos coloniais da África e da Europa”. Huiswoud lembrou a segunda decisão do Congresso que “reconheceu a importância da questão colonial” e os estatutos que proclamaram que a Comintern abraçou “as pessoas de cor negra, branca, amarela, de toda a terra.” (24)

O contributo decisivo do Comintern consistiu em uma visão central, que foi enraizada nas crenças daqueles que construíram o partido bolchevique e estabeleceram o Estado dos trabalhadores. Os líderes do Comintern consideraram que a luta de libertação dos negros fazia parte da revolta mundial dos povos oprimidos contra o colonialismo e o racismo. Eles, portanto, insistiram no dever dos comunistas de todos os países de apoiar ativamente e vigorosamente essa luta em particular.

Além disso, o contributo do Comintern estava sobretudo na sua incrível capacidade de ouvir e aprender com os expoentes mais clarividentes da revolução negra de seu tempo.

Agradecimentos tanto a Richard Fidler e Jacob Zumoff, 
por seu fraternal apoio à pesquisa por detrás deste texto.

Referências em língua inglesa (infelizmente, não há outras disponíveis):

  1. John Riddell (ed.), Toward the United Front: Proceedings of the Fourth Congress of the Communist International, 1922 (Chicago: Haymarket Books, forthcoming).
  2. Jacob Andrew Zumoff, “The US Communist Party and the Communist International, 1919–1929,” Ph.D. diss., University College, London, 2003, 290.
  3. Oscar Berland, “The Emergence of the Communist Perspective on the ‘Negro Question’ in America: 1919–1931 Part One,” Science & Society, vol. 63, no. 4 (winter 1999-2000), 414.
  4. Riddell (ed.) 1987, Founding the Communist International: Proceedings and Documents of the First Congress–March 1919, New York: Pathfinder Press, 1987, 227-8.
  5. Riddell, Toward the United Front, 809. 
  6. Riddell (ed.), Workers of the World and Oppressed Peoples, Unite! Proceedings and Documents of the Second Congress, 1920 (New York: Pathfinder Press, 1991), vol. 1, 286. 
  7. Zumoff, US CP and Comintern, 287–88; Riddell, Workers of the World, 224–8.
  8. Mark Solomon, The Cry Was Unity: Communists and African Americans, 1917–36 (Jackson, Miss.: University Press of Mississippi, 1998), 9-10.
  9. Berland, Emergence, 419.
  10. James P. Cannon, The First Ten Years of American Communism (New York: Pathfinder Press, 1962), 230-31.
  11. Berland, Emergence, 419.
  12. For Huiswoud’s biography, see Maria Gertrudis van Enckevort, “The Life and Work of Otto Huiswoud: Professional Revolutionary and Internationalist (1893-1961)”, Ph.D. diss., University of West Indies at Mona, 2001.
  13. Claude McKay, A Long Way from Home (New York: Harcourt Brace & World, 1970 (1937)).
  14. McKay, Long Way from Home, 168.
  15. Um sumário dos discursos demonstra que “Negro” e “Preto” era termos intercambiáveis à época. Citações deste artigo são traduzidas da versão alemã das resoluções da IC. Eles usaram apenas o termo Neger, aqui vertido como “Black.” In: Fourth Congress of the Communist International: Abridged Report of Meetings Held at Petrograd & Moscow Nov. 7–Dec. 3, 1922 (London: Communist Party of Great Britain, 1923), 257–62.
  16. Riddell, Toward the United Front, 839.
  17. For Huiswoud’s speech, see Riddell, Toward the United Front, 800–807.
  18. For McKay’s speech, see Riddell, Toward the United Front, 807–10.
  19. Solomon, The Cry Was Unity, 20.
  20. Riddell, Toward the United Front, 806, 950.
  21. Leon Trotsky, The First Five Years of the Communist International (New York: Pathfinder Press, 1972), vol. 2, 355.
  22. For the online text, see www.marxists.org/history/international/c…. For a different translation, see Riddell, Toward the United Front, 947–50.
  23. Wayne F. Cooper, Claude McKay: Rebel Sojourner in the Harlem Renaissance, Baton Rouge: Louisiana State University Press, 1987, 180-81.
  24. Riddell, Toward the United Front, 800 (Huiswoud), 809 (McKay); Riddell, Founding the Comintern, 227–28; Riddell, Workers of the World, vol. 2, 696.

*Fonte: International Socialist Review. Issue 81. Race and Class. London, Jan. 2012. Texto disponível na Internet: <https://isreview.org/issue/81/black-liberation-and-communist-international>.

**Atua no movimento revolucionário socialista do Canadá, Estados Unidos e Europa desde a década de 1960. Historiador social e editor socialista de uma série de livros sobre a Internacional Comunista no tempo de Lenin, incluindo a recém-lançada Em Direção à Frente Única: resoluções do Quarto Congresso da Internacional Comunista, 1922 (Haymarket Books, London, 2012). Ele é um colaborador frequente do órgão teórico ISR. Seus escritos passados e presentes podem ser encontrados em seu Blog: <https://johnriddell.wordpress.com>.

***Tradutor/intérprete especializado em marxismo clássico e contemporâneo de língua inglesa.

Foto: Otto Huiswoud and Claude McKay in Moscow, 1922

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