O exemplar de Marx do primeiro volume d’O Capital, digitalizado

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Instituto Internacional de História Social de Amsterdã

Tradução: Rodrigo Claudio

Faz exatamente 150 anos, em 14 de setembro de 1867, foi publicado o primeiro volume d’O Capital de Karl Marx.  O Capital segue sendo um dos livros mais influentes da história mundial. O Instituto Internacional de História Social de Amsterdã possui uma primeira edição única, que contém as próprias correções manuscritas feitas nas margens por Marx. Esta edição foi totalmente digitalizada e está à disposição do público em geral através da página da internet do Instituto.

Além de ser o mais importante teórico socialista, Karl Marx( 1818-1883) também foi um cientista altamente autocrítico. A partir de meados da década de 1840 em diante se dedicou a um estudo sério da teoria econômica. Em 1857, começou a escrever o primeiro rascunho da obra que uma década depois resultaria no primeiro volume d’O Capital. Inclusive antes de O Capital sair da editora Meissner em Hamburgo, Marx assinalou em suas cartas sua insatisfação  pela forma em que havia apresentado suas ideias. Estas dúvidas foram reforçadas pela crítica de seu grande amigo Friedrich Engels ( 1820-1895). Três semanas antes da publicação, em 23 de agosto de 1867, Engels elogiou Marx pela argumentação “fabulosa” por trás do livro. Entretanto, ele imediatamente adicionou a exclamação: “Mas como podes deixar a apresentação formal do livro tal como está?. A um editor francês que propôs uma tradução , Marx lhe escreveu já em novembro de 1867 assinalando que gostaria de mudar certas passagens no texto.

O Capital, forma parte da coleção do IIHS em Amsterdã

Marx imediatamente começou a preparar sua mudancas para a próxima edição. As correções que fez em sua própria cópia de O Capital, parte da coleção do IISH em Amsterdã, foram um dos primeiros passos deste processo. A maior parte destas mudanças, escritos em lápis, foram incorporadas mais adiante na segunda edição alemã de 1872. As principais mudanças estão situados nos complicados primeiros capítulos nos quais Marx introduz conceitos importantes tais como “mercadoria”,”valor de uso”, “valor de troca”e sua teoria do papel do dinheiro em uma economia capitalista. Marx seguiu reescrevendo O Capital para a edição francesa que saiu em série de 1872 a 1875 e a terceira edição alemã, que foi publicada justo depois de sua morte em 1883. Nunca conseguiu terminar o segundo e terceiro volume de O Capital. Ainda que os manuscritos principais para ambos os volumes já haviam sido preparados na primeira metade da década de 1860, continuou postergando sua publicação a realização de novas investigações adicionais. Posteriormente, Friedrich Engels empreendeu o difícil trabalho de editar e publicar o segundo (1885) e o terceiro (1894) volumes.

O exemplar de O Capital, Volume I, que contém as notas de Marx, passou a posse do IISH em Amsterdã nos anos trinta, através dos arquivos e biblioteca do movimento social-democrata alemão. A cópia é de particular interesse, já que permite conhecer o trabalho meticuloso que Marx dedicou a formulação de suas teorias.

Infelizmente, somente poucos podem ler essas notas. A caligrafia de Marx é tão complicada, que somente um punhado de pessoas no mundo são capazes atualmente de decifrar-la. Uma transcrição completa tem sido publicada em Marx Engels Gesamtausgabe 2, a volumosa edição científica das obras de Marx e Engels em que o IISH é um dos principais participantes.

Disponível na internet

A cópia de O Capital que agora disponibilizamos é um documento único para a história do movimento operário e das ciências sociais. É parte da grande coleção de manuscritos de Marx e Engels no IISH, que possui aproximadamente dois terços de todos os documentos deixados por Marx e Engels durantes suas vidas. Em 2013, junto com a única página manuscrita sobrevivente do Manifesto comunista, foi inscrita no Registro da Memória do Mundo da UNESCO.

O Capital está em uma mostra em uma exposição no Museu der Arbeit em Hamburgo. No próximo ano, o exemplar original será exibido em grandes exposições no Museu Karl-Marx-Haus de Trier, Alemanha, e no Museu Judaico da Bélgica em Bruxelas, como comemoração do bicentenário do nascimento de Marx.

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