Qual é o sentido da forma-logo do Blog CONVERGÊNCIA? (breve passeio sobre agitprop e questões do modo de vida)

Betto della Santa


“Primeiro/
…………….é preciso/
………………………….transformar a vida,/
para cantá-la –/

……………..então/
…………………………………….em seguida./
Para o júbilo/
…………………..o Planeta/
……………………………….está imaturo./
É preciso/
……………….arrancar alegria/
…………………………………..ao futuro./”

(A Sierguéi Iessiênin, excerto, Vladimir Maiakóvski, 1925, Trad. Haroldo Campos.)

 

Não são poucas as pessoas que vem nos perguntar, curiosas, sobre o sentido da forma-logo adotada para representar – não só em aparência, mas em sua essência – o que vem a ser o Blog CONVERGÊNCIA. Quem é essa bela mulher que coreia, altissonante, em alfabeto russo? O que significam esses caracteres, em cirílico, a sair-lhe da boca para o mundo? O quê, afinal, anuncia essa profusão de cores e formas? O Cartaz Livros!, criado em 1924 por Alexander Rodchenko e Lilia Brik, para a Editora Gosizdat – Órgão Central das Editoriais Socialistas e “Comissariado do Povo para o Esclarecimento” – é talvez uma das imagens das mais conhecidas da publicística soviética mundo-afora. Produzido para promover os livros e a leitura nos primeiros anos da então jovem república socialista soviética, trata-se de uma imagem simples e poderosa, bastante representativa do que veio a ser conhecido como as formas de agitprop (agitação + propaganda) socialista de abertura histórica da época revolucionária. Não é sem algo de atrevimento que ousamos substituir os dizeres soviéticos – LI-VROS!: obras em todas as áreas do conhecimento – pelo mote em língua portuguesa: Blog CON-VER-GÊN-CIA: pensamento socialista em movimento. Mas por que catzo assim o fizemos?

Ao espírito iluminista da mensagem de ousar saber, ou interpretar o mundo para poder transformá-lo, justapõe-se uma estética política – arrojada e vivaz –, vibrante e dinâmica, em muito tributária do encontro histórico realmente existente (ao contrário do que sóem pensar a maioria de artistas e revolucionários algo acostumados a viver situações não-revolucionárias), entre revolução político-social e modernismo estético-cultural. Mas a escolha da imagem-síntese como condensação formal de ideias e programas que o Blog CONVERGÊNCIA aspira a representar não pode ser um olhar fetichista sobre um passado que muitos desejariam já ultra-passado. E tampouco pode se converter em pregação no deserto. Nada disso. Trata-se então de compreender a própria atividade de agitação e propaganda, de formação e de comunicação, no interior de sua própria história – seus nexos dinâmico-causais – enquanto processualidade. E saber, então, qual legado nós reivindicamos e a qual herança renunciamos – “Das cores, o Rubro/ Dos meses, Outubro” – dentre tantas cores, ou meses, possíveis e imagináveis. A linha do horizonte real, tal qual o céu da utopia concreta, já serve, justamente, é pra isso: pra caminhar, não é assim mesmo?

São múltiplas as relações e determinações, as mais diversas, que nos fizeram escolher esse cartaz soviético enquanto uma síntese. Pra começo de conversa, vale a pena darmos um breve passeio sobre Rodchenko, Lilia, agitprop e questões do modo de vida. Há certas coisas, como já se disse mais de uma vez, que não podem se perder. E então? Vamos lá?

Estação Rodchenko

Nossa primeira parada se chama Rodchenko. Alexander Mikhailovich Rodchenko (1891-1956) – artista visual, fotógrafo, escultor, realizador cinematográfico, agitpropper socialista e precursor expoente do assim-chamado design gráfico – pode ser considerado, junto a companheiros de jornada simbólica tais como Vladimir Maiakóvski, Dziga Vertov e tantos outros, dentre os mais versáteis artistas totais que a primavera social e política da Revolução dos Soviets fez florescer no terreno fértil de uma nova cultura socialista. É de sua boa lavra o belo cartaz que estampa, em seu interior, a figura ímpar de Lilia Kagan Brik – verdadeira musa inspiradora, sobre a qual logo trataremos – com lenço amarrado à cabeça, sorriso nos olhos, como que a megafonizar dizeres em alfabeto cirílico (“Livros!”) junto a traços arrojados (e cores vibrantes) de nítida inspiração no movimento artístico concreto-futurista. O cartaz, em si e para si, fala bastante a respeito de seu tempo e de seu espaço.

A fotomontagem – datada, esta, de 1924 – destinava-se a anúncio público do órgão das editoras soviéticas Gosizdat, cuja missão consistia em socializar os meios fundamentais da produção da existência de bens culturais e comunicacionais. A situação revolucionária mundial que fez tremer às estruturas de poder da Velha Europa espraiou-se por diversas partes do continente e deu lugar (e hora) a novas trilhas (e considerações) que, em meio às mais várias contradições vivas do movimento do real, revolucionaram, para além da economia e da política (e suas críticas Críticas), a todas relações sociais realmente existentes. Rodchenko, como legítimo herdeiro de Outubro, aspirava por reintegrar a arte à vida. Tornou-se conhecido através de áreas tão diversas da produção cultural quanto a montagem cinematográfica, o design gráfico, o agitprop socialista – por meio de cartazes, pôsteres, letreiros etc. –, as artes plásticas, a tipografia/editoração, o jornalismo desportivo, a curadoria/museologia, a educação artística e, sobretudo, a fotografia de avant-garde. A política do sensível, a qual animava seu trabalho, brotava de um engajado militantismo, enquanto autêntica força produtiva, e nunca se acomodou a fórmulas estéticas de qualquer índole. O efeito de estranhamento oriundo das angulações desafiadoras com que enfrentava os temas retratados questionava em ato não só um cânone fotográfico e/ou a estética dominante mas, por fim, o próprio olhar cristalizado do espectador médio: vistos muito de cima ou muito de baixo, perspectiva e profundidade, tal qual extensão e movimento, ganhavam sentidos renovados. A educação dos sentidos estéticos e das funções psíquicas como programa de ação eram o pressuposto fundacional destes artistas-militantes e militantes-artistas. Levaram a sério, a fundo, a premissa de a tudo transformar.

Como o teatro épico-dialético de Bertolt Brecht ou o cinema moderno-vanguardista de Sergei Eisestein, Rodchenko reinventou não só a sintaxe e a semântica de seu próprio campo, mas sua linguagem mesma, tendo em vista que, muito a contragosto da nomenklatura política (e, é claro, de seus respectivos apparatchiks culturais) da burocracia moscovita, o aspecto verdadeiramente social em artes se realiza na forma. Se a revolução bolchevique o alçou a diretor do Departamento de Museus, responsável direto pela reorganização das Escolas de Artes e livre-docente dos Estúdios Técnico-Artísticos Avançados, a contrarrevolução stalinista condenou-o ao ostracismo da fotografia de paradas militares, baniu-o dos círculos artísticos centrais e, até que, enfim, fez com que se decidisse a abandonar a fotografia, embora ainda organizasse exposições artísticas até meados da década de 1950. A burocracia moscovita, ao se tornar adversária da revolução, converteu-se em inimiga do modernismo. Não seria possível ser uma coisa sem a outra.

Estação Lilia

Nossa segunda parada se chama Lilia. Lilia Iuerevna Kagan Brik (1891-1978) – uma espécie de sereia encantadora da vanguarda soviética, contemporânea (e musa) de Rodchenko –, ou, simplesmente, Lilia Brik foi, por excelência, tão extraordinária quanto a poesia política, as artes visuais e a representação pictórica as quais inspirou. Ela mesma versada em artes cênicas, literatura universal, ballet clássico e arquitetura e urbanismo, levou uma vida “em cada filigrana do ser tão inusual quanto a arte que alentou”. A afirmação categórica da jornalista londrina Sue Steward, quiçá grandiloqüente na forma literária, corresponde à constatação de fatos e personagens, pensamentos e sentimentos, afetos e convicções os quais formavam o conteúdo social do próprio ar respirado por Lilia nos primeiros decênios dos idos de 1900. Em já muitos sentidos Lilia Brik foi uma mulher à frente de seu tempo.

O seu nome era freqüentemente abreviado, por seus contemporâneos, como Л.Ю.Б., que são as iniciais da palavra russa «любовь»; lyubov ou amor. Nascida Lilia Kagan (Лиля Каган) em uma rica família judaica, de um jurista profissional e uma professora de música moscovitas, tanto ela quanto sua irmã mais velha receberam excelente formação, o que incluía fluência em francês e alemão, aulas de piano e educação superior. Formada no Instituto de Arquitetura de Moscou, era famosa por sua beleza. Foi belamente retratada por Rodchenko, Tyshler, Shterenberg, Burlyuk, Léger e, mais tarde, por Henri Matisse e Marc Chagall. Integrante da alta intelligentzia russa, avançada nos usos e costumes, acreditava no amor “à la Chernyshevsky” – referência a um dos mais radicais pensadores do Séc.19 –, um dos precursores das assim-chamadas “relações abertas”. Era, aí, uma verdadeira libertária.

A dois anos da eclosão intempestiva da Revolução dos Soviets, em um dos muitos saraus artísticos promovidos no estúdio de Lilia e seu marido, Osip Brik – um crítico literário e reputado editor –, Lilia viria a conhecer o galante ex-companheiro de sua irmã, Elsa Triolet, um então juveníssimo Vladimir Maiakóvski. Como costumava fazer declamou – a plenos pulmões – um de seus poemas escalonados, arrebatando ao público com uma voz grave, de barítono-baixo, olhos flamejantes – de ator expressionista – e gestos impetuosos, de gigante plebeu, desde o alto de uma estatura física e moral tonitruante além de algo cônscia de si:

De toda caduca quietude me vou despido,/
nem um só fio de cabelo branco n’alma!/
Trovoando ao mundo desde a pujança/
De minha voz,/
Vou por aí – garboso,/
Os vinte-e-dois anos./

(Nuvem de Calças, Vladimir Maiakóvski, 1915, excerto/tradução nossos.)

Estação Agitprop

O que o crítico literário Leon Trotsky diz a respeito do futurismo russo em geral e, algo em particular, sobre a poesia maikovskiana, é de todo verdadeiro. O seu individualismo boêmio excomungava toda e qualquer tradição coletiva enquanto antirrevolucionária, por um lado, e, por outro, dava aos assuntos do eu-lírico proporções de escala épica, falando em tertúlias de salão como quem discursa em praça pública, e viceversa. (Trotsky, bem-entendido, não esperava de gigantes tropeços de anões, e apreciava, vividamente, os trabalhos artísticos de Maiakóvski.) Mas o que veio a encantar Lilia, nada obstante, foi perceber algo de ternura e vulnerabilidade em meio a tamanho vigor e intensidade, i.e., a doçura imiscuída à sua força.

Daí então deu-se a conhecer um dos casos de amor mais “épicos” (para não dizer, mesmo, “dramáticos”) – e apaixonados – que registra a história social da revolução russa. E, se vale uma chave heurística algo hegelo-marxiana, um caso singular, de personagens integrais – por que não? –, em uma autêntica história universal. Como revolução digna desse nome não se deparou diante de acontecimentos e processos políticos, sociais e/ou econômicos, mas constituiu o eixo central para se operar mudanças à cultura, à cotidianidade e ao próprio modo de vida. O amor sexuado, para além das suas instituições – políticas e jurídicas – reguladoras, conheceu um novo florescimento de formas e sentidos até então alheios ao metabolismo social de produção e troca tipicamente capitalistas. Renasceu de novo parto.

É importante remarcar que não se tratava daquilo que o típico mundo burguês relaciona ao affair amoureuse e/ou ménage à trois. O melhor do amor e da revolução é, justamente, não ter de escolher entre o amor ou a revolução. A formação integral de uma nova sociedade também elevou indivíduos sociais a novos patamares – para além das coordenadas de convicções – até o mapa dos afetos. Tudo isso, evidentemente, em meio ao esterco de contradições do terreno histórico entre o já-não-mais, do passado alienado, e o ainda-não, do futuro emancipado. A construção do limiar não-cicatrizado entre as épocas não foi indolor.

Estação Modo de Vida

O “amor-camaradagem” de que nos fala a autobiografia de Alexandra Kollontai – que unia de fato e de direito Osip Brik e Lilia Kagan – não foi um impedimento para que os laços de afeto com Maiakóvski se estabelecessem e aprofundassem. No volume brasileiro publicado pela Editora Perspectiva, de Poemas Selecionados de Vladimir Maikóvski – “transcriados” (traduzidos “poeticamente”) pelos Irmãos Campos junto a Boris Schneidermann –, inclui-se uma entrevista franca e muito esclarecedora de Lilia a Boris ao final do livreto. Com ela, conhecemos fotografias, fac-símiles, poemas visuais – dentre eles, o famoso Liubliú! (Amo!), poema-anel de homenagem-aliteração à mulher amada – e uma narrativa vibrante do significado social (e do sentido pessoal) daquilo que os dias de hoje (e de ontem) mal-diriam “triângulo amoroso.” Tão invulgar relação esteve há muitos alqueires de distância.

Lilia colaborou com Osip Brik, alentou versos de Maikóvski (Lilitchika) e inspirou obras de Rodchenko. Os quatro trabalharam intensamente, como grupo cultural, junto ao LEF: o Levy Front Iskustv ou Frente de Esquerda nas Artes. A amizade já incondicional e os laços de camaradagem que os uniam intimamente fora resultado parcial de intensos e extensos intercâmbios, morais e intelectuais, em um momento histórico-político extraordinário, em todos os aspectos. Uma das realizações disso pode ser vista a olhos nus na materialidade-sensível do fac-símile do cartaz aludido, até hoje, e não sem-razão, uma das imagens mais mimetizadas desta era. Há um je-ne-sais-quoi, imanente e transcendente, difícil de explicar.

Ao fim desse percurso de idas-e-vindas, não-linear e não-progressivo, esperamos ter daí impregnado de nova significação esse cartaz publicístico. Para isso não necessitamos recorrer a mitos fundadores e/ou fábulas contrafactuais mas, tão-simplesmente, olhar mais de perto ao ser-precisamente-assim da realidade mesma em uma paciente, meticulosa e diligente reconstrução histórica e concreta. Ou seja, a realidade supera qualquer ficção.

Ensamble, ou tudo-junto-e-misturado-ao-mesmo-tempo-sempre

As formas de agitprop, por si só, já valeriam aqui a justa homenagem. Este “salto de tigre”, operado pela Revolução dos Soviets, universalizou como nunca antes na história social da humanidade a cultura e as artes, as letras e os números, a beleza e a verdade. E o agitprop revolucionário cumpriu um papel importante, tanto na revolução proletária quanto na transição socialista. Acontece que a revolução – para além de prover melhores condições para a produção voltada para a satisfação de necessidades humanas, do estômago e da fantasia –, ao fim e ao cabo, representou a contínua transformação de todas as relações sociais realmente existentes. Da crítica da economia política à transformação do modo de vida perpassando todas as esferas humanas, da linguagem ao trabalho e da consciência ao ser social. Tudo, enfim, de cabo a rabo. Trata-se de um importante lampejo da memória coletiva em momento de perigo quando estamos tão-só a um ano da comemoração do centenário da Revolução dos Soviets. De alguma forma e em alguma medida damos início, aqui-agora, a essa batalha de ideias. Pois não vai ser fácil, e vão jogar pesado em 2017 –, sobre razão e sentido de 1917. Eles, mais que nós, sabem da relação passado-presente.

É com a paixão alegre de Lilia – sob inspiração de seu sorriso – que queremos anunciar livros e filmes, canções e artigos, comentários e crônicas, poesia e política, e muito mais! Queremos também fazer por merecer, tal qual bandeira e um grito-de-guerra, seu gesto modernista em relação a formas e conteúdos, políticos e revolucionários, sem filisteímos ou dogmatismos de nenhuma sorte. Para isso, contudo, não nos bastaria com revolucionar a formas e conteúdos, a teorias ou práticas, mas é necessário reelaborar o próprio modo de produção socialmente necessária… também nas esferas específicas de produção da cultura(!).

E, last but not least, apresentamos a vontade – e o desejo – de fazer com que o modo de vida realmente existente, para além da letra do texto, venha a ser radicalmente transformado pelo espectro da autodeterminação, o espírito da revolução, o movimento do real que, hoje como antes, nomeamos comunismo; nem razão de Estado e nem piedoso ideal. A própria linguagem é a arena – por excelência  da luta de classes na qual nós fomos os vencidos.

Fermata, ou rompa-aqui-o-lacre-de-vidro-para-o-breque-de-mão

Após a curta passeggiata com paradas, a modo de pequeno manifesto, sabemos que, no tempo-de-agora, o que se trata é de livros e cartazes, é claro, mas muito mais do que isso. Fazemos aqui uma fermata alla italiana, interrompemos a narrativa, e puxamos o freio de emergência. Como certa feita disse Bertolt Brecht – na Peça Didática de Baden-Baden sobre o Acordo [Consentimento] trata-se de levar a revolução à revolução, a transformação à transformação e, sem solução de continuidade, a história mesma, como processo sem-fim, até uma nova cultura, uma nova sociedade e um homem renovado. Nada será como antes.

Se é verdade que tudo o que nasce merece perecer daí o nosso conselho editorial mesmo, com alegria e compromisso, realizará então a sua própria dissolução. Que melhor forma de deixar de existir do que dar lugar a uma sociedade socialista? Afinal, não se trata aqui de nada mais do que a imagem de uma ideia, a forma de um programa, isto é, uma palavra-de-ordem. Não será mais que o começo de um fim – ou o fim de um começo? – e continuaremos, daí, o novo combate. Seremos realistas, realizaremos o impossível; transferindo todo o poder à imaginação – e à inteligência – de quem nada possui [a perder] senão a seus próprios grilhões. Ora como outrora o socialismo pra valer não deve se tratar de um mero slogan político para os dias de festa ou qualquer outro discurso de ocasião. Uma aposta histórica, um compromisso político, um projeto coletivo. Não há razão nem sentido para otimismos ou pessimismos quando podemos ter o “realismo esperançoso”, do qual nos falava A. Suassuna.

O Cartaz Lilia-Rodchenko (Livros!, 1924, Lengiz),* como deve ter quedado já mais do que claro – em alto e bom som –, não à-tôa é a forma-logo do Blog CONVERGÊNCIA e sugere um breve passeio sobre agitprop e questões do modo de vida. “Este tema chega,/ ordena:/ –Verdade pura!/ Este tema chega,/ celebra:/ –Formosura!” (Sobre Isto, Vladimir Maiakóvski, 1923, Poema-Manifesto da LEF, Trad. Letícia Pedreira.). Nesta luta final – bem-unidos – façamos?

Referências

Sheila Fitzpatrick. The Commissariat of Enlightenment: Soviet Organization of Education and Arts under Lunacharsky (1917 – 1921). Cambridge, Cambridge University Press : 1970.

*Fac-símile cartaz publicístico Livros! Lengiz (Departamento de Leningrado Gosizdat-Órgão Editorial Estatal), In: Museu Pushkin de Belas Artes, Alexander Rodchenko e Lilia Brik, 1924.

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