Diário de Atenas – A juventude da Syntagma – 3 de Julho (segunda parte)

(Faltam dois dias para o referendo da austeridade)

Durante o um ano, entre 2011 e 2012, devo ter ido, ao menos uma vez por semana, a belos atos de massas na praça Tahrir. A ideia de acompanhar o dia de hoje na Syntagma, portanto, carregou elementos gostosos de déjà vu. A paisagem e a cultura da Grécia também ajudaram. Além de sua geografia, com morros e colinas levemente amareladas, encobertas por uma rala vegetação verde e muitas árvores de oliveira, a Grécia se une ao mundo árabe por suas semelhanças culinárias, artísticas e um enlace histórico que se remete ao surgimento da cultura clássica. Não por acaso, ao longo de boa parte do século XX, os gregos foram incluídos pelo Departamento de Estado norte-americano como parte do “Grande Oriente Médio”. Mas não nos confundimos; a Grécia de hoje é um país europeu.

Tão europeu que os atos pelo “sim” e pelo “não” ocorreram praticamente lado a lado, sem nenhuma confusão digna de se fazer noticia. Eu mesmo, ao voltar para casa da Syntagma com um enorme adesivo escrito “OXI” no peito, fui parar no meio dos apoiadores do “sim” que se deslocavam por ali. Trocar um “joia” com outro rapaz que passava ao meu lado com um “não” colado na roupa foi o único evento político que ocorreu ao longo daquela caminhada. No Cairo, quando diferentes grupos políticos por acaso se esbarravam na mesma rua, era bom sair correndo. Afinal, não rara eram as brigas que terminavam em linchamentos.

idade gréciaMas se Grécia e Egito se afastam pelo grau de dramaticidade de suas crises, eles se unem pela força e similaridade de seus atores. No Cairo, toda uma geração, entre os 15 e os 30 anos, passou a ser popularmente designada no inicio daquela primavera de “Shabbab Al-Thawra” – os jovens da revolução. O cenário de hoje em Atenas não foi muito diferente. Não seria um exagero afirmar que a média de idade no ato do “não” estava abaixo dos 30 anos. Sabendo que será ela que pagará os custos a longo prazo pela austeridade, a juventude grega decidiu ir em peso às ruas.

Enquanto me chocava com o quão novos eram aqueles ativistas que me cercavam, as pesquisas de opinião reforçavam minha tese. Segundo um instituto de pesquisa, entre aqueles com 18 a 24 anos, incríveis 71% defendem o “não” e apenas 20% estão pelo “sim”. Já entre os maiores de 65, apenas 26% estão com o “não” e 56% com o “sim”. Como de se esperar, uma escada linear quase perfeita completa a separação etária entre os dois grupos. No sentido mais literal possível, a crise grega é uma na qual o novo luta para se emancipar enquanto o velho resiste em desaparecer.

De praça em praça

Uma desvantagem para os gregos é que a Syntagma, quando comparada à Tahrir, possui um péssimo desenho. Ela se divide no meio por uma enorme escadaria que na prática fatia a praça em duas. A primeira, escada abaixo, se encontra em um espaço amplo e verde, já a segunda, escada acima, é estreita e atravessada por uma avenida.

Posto que a proximidade da praça ao parlamento é aquilo que lhe da um peso estratégico particular, a parte “legislativa” da praça é ao mesmo tempo muito mais importante e muito menor que o resto de seu corpo. O palco de hoje, por exemplo, precisou ser reproduzido por telões para a turma de baixo. Além do mais, de uma perspectiva puramente estética, uma praça topograficamente plana dá uma sensação muito maior da ação das multidões.

Nada disto, porem, tirou o brilho da festa. O dia de hoje, na sua essência, teve como objetivo unir a nata da arte e da musica grega para dar um “não” à austeridade. A própria fala de Tsipras, a grande estrela da noite, foi neste sentido em termos de forma e conteúdo. Não houve grandes analises de conjuntura, novas propostas políticas ou qualquer outro fato de destaque. O primeiro-ministro apenas repetiu a mantra, que aparenta cada vez mais distante da realidade, de que tudo retornará ao normal após uma possível vitória do “não”. Voltando seu discurso aos quase 10% de indecisos que definirão as eleições, o chefe do Syriza reiterou, como sempre, que a Grécia segue e seguirá firme e forte no Euro.

mto melhorA fala foi curta e rápida, interrompida apenas por explosões de aplausos e gritos pelo “oxi”. Assim que Tsipras terminou, os artistas retomaram o palco, mantendo a militância animada com musicas da esquerda grega. Não vou me arriscar, por aqui, a estimar o publico de hoje. Qualquer numero que viria a afirmar seria um chute. Posso dizer que a praça estava para lá de lotada, cheia de cores vibrantes e com espirito de vitória. Muitos falavam que o ato de hoje irá marcar uma reversão nos sentimentos da opinião publica, colocando pela primeira vez na semana o “não” na ofensiva. A resposta para isto, porem, saberemos apenas no domingo anoite.

Até lá, lhes seguirei trazendo noticias!

Aldo Cordeiro Sauda

1 Comentário em Diário de Atenas – A juventude da Syntagma – 3 de Julho (segunda parte)

  1. Rogério Marzola // 4 de julho de 2015 em 14:38 // Responder

    Nota da Fasubra ao Povo Grego Soberano.
    Os trabalhadores técnico-administrativos em educação das instituições públicas de ensino superior do Brasil, representados pela Federação denominada FASUBRA, que congrega os sindicatos do setor e representa 180 mil trabalhadores e trabalhadoras, vem a público externar sua solidariedade ao povo grego. A política de austeridade que a Troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) pretende impor à nação grega é inaceitável.
    Apoiamos o povo, entidades e movimentos sociais que se contrapõem ao “cerco dos mercados”.
    O Brasil deveria fazer o mesmo: questionar as dívidas e não estrangular a nação e seu povo com arrochos fiscais.
    Todo apoio ao povo grego!
    FASUBRA Sindical – FEDERAÇÃO DE SINDICATOS DE TRABALHADORES TECNICO ADMINISTRATIVOS EM
    INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR PÚBLICAS DO BRASIL
    Brasília, Brasil, 03 de julho de 2015
    Fasubra note to the Greek Sovereign People .
    The technical and administrative workers in education public institutions of higher education in Brazil, represented by the Federation called FASUBRA , which brings together the sector’s unions and represents 180,000 workers,
    hereby express their solidarity with the Greek people . The policy of austerity that the Troika (IMF , ECB and European Commission) intends to impose the Greek nation is unacceptable. We support the people, organizations and social movements that oppose the ” siege of markets.”
    Brazil should do the same : to question the debts and not strangle the nation and its people with tax arrochos .
    Full support to the Greek people !
    FASUBRA Union – WORKERS UNIONS FEDERATION ADMINISTRATIVE TECHNICIAN IN INSTITUTIONS OF HIGHER EDUCATION PUBLIC OF BRAZIL
    Brasilia, Brazil , July 3, 2015
    Fasubra noter les grecs peuple souverain .
    Les travailleurs techniques et administratives en matière d’éducation des institutions publiques d’enseignement supérieur au Brésil , représentés par la Fédération appelés FASUBRA , qui regroupe les syndicats du secteur et représente 180 000 travailleurs , tenons à exprimer leur solidarité avec le peuple grec . La politique d’austérité que la Troïka (FMI , BCE et Commission européenne ) a l’intention d’imposer la nation grecque est inacceptable . Nous soutenons les personnes, les organisations et les mouvements sociaux qui opposent le « siège de marchés . ”
    Brésil devrait faire la même chose : à la question des dettes et non pas étrangler la nation et de son peuple avec arrochos fiscales .
    Plein soutien au peuple grec !
    Union FASUBRA – les syndicats de travailleurs FEDERATION TECHNICIEN ADMINISTRATIF DANS LES
    INSTITUTIONS DE L’ENSEIGNEMENT SUPERIEUR DU BRÉSIL
    Brasilia, Brésil 3 Juillet 2015
    Fasubra σημειωθεί στα ελληνικά κυρίαρχο λαό .
    Οι τεχνικές και διοικητικές εργαζομένων στην εκπαίδευση δημόσια ιδρύματα τριτοβάθμιας εκπαίδευσης στη Βραζιλία , εκπροσωπούμενη από την Ομοσπονδία ονομάζεται FASUBRA , η οποία συγκεντρώνει τα συνδικάτα του τομέα και αντιπροσωπεύει 180.000 εργαζομένους , Εκφράζουμε την αλληλεγγύη τους προς τον ελληνικό λαό . Η πολιτική της λιτότητας που η Τρόικα ( ΔΝΤ , ΕΚΤ και Ευρωπαϊκή Επιτροπή ) προτίθεται να επιβάλει το ελληνικό έθνος είναι απαράδεκτη . Στηρίζουμε τους ανθρώπους , οργανώσεις και κοινωνικά κινήματα που αντιτίθενται στην
    « πολιορκία των αγορών . ”
    Βραζιλία θα πρέπει να κάνουν το ίδιο : να αμφισβητήσει τα χρέη και να μην στραγγαλίσει το έθνος και το λαό της
    με τις φορολογικές arrochos .
    Πλήρης υποστήριξη προς τον ελληνικό λαό !
    FASUBRA Ένωσης – ΟΜΟΣΠΟΝΔΙΑ ΕΡΓΑΖΟΜΕΝΩΝ ΣΤΙΣ ΔΙΟΙΚΗΤΙΚΕΣ ΤΕΧΝΙΚΟΣ ΣΕ ΙΔΡΥΜΑΤΑ ΤΗΣ
    ΤΡΙΤΟΒΑΘΜΙΑΣ ΕΚΠΑΙΔΕΥΣΗΣ ΔΗΜΟΣΙΩΝ ΤΗΣ ΒΡΑΖΙΛΙΑΣ
    Μπραζίλια , Βραζιλία , 3 του Ιουλίου 2015
    Fasubra si̱meio̱theí sta elli̱niká kyríarcho laó .
    Oi technikés kai dioiki̱tikés ergazoméno̱n sti̱n ekpaídef̱si̱ di̱mósia idrýmata tritováthmias ekpaídef̱si̱s sti̱ Vrazilía , ekproso̱poúmeni̱ apó ti̱n Omospondía onomázetai FASUBRA , i̱ opoía synkentró̱nei ta syndikáta tou toméa kai
    antiproso̱pév̱ei 180.000 ergazoménous , Ekfrázoume ti̱n alli̱lengýi̱ tous pros ton elli̱nikó laó . I̱ politikí̱ ti̱s litóti̱tas pou i̱ Tróika ( DNT , EKT kai Ev̱ro̱païkí̱ Epitropí̱ ) protíthetai na epiválei to elli̱nikó éthnos eínai aparádekti̱ . Sti̱rízoume tous anthró̱pous , organó̱seis kai koino̱niká kiní̱mata pou antitíthentai sti̱n « poliorkía to̱n agoró̱n . ”
    Vrazilía tha prépei na kánoun to ídio :̱ na amfisvi̱tí̱sei ta chréi̱ kai na mi̱n strangalísei to éthnos kai to laó ti̱s me tis forologikés arrochos .
    Plí̱ri̱s ypostí̱rixi̱ pros ton elli̱nikó laó !
    FASUBRA Éno̱si̱s – OMOSPONDIA ERGAZOMENO̱N STIS DIOIKI̱TIKES TECHNIKOS SE IDRYMATA TI̱S TRITOVATHMIAS EKP AIDEU̱SI̱S DI̱MOSIO̱N TI̱S VRAZILIAS
    Brazília , Vrazilía , 3 tou Ioulíou 2015

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