A antiguidade da hora no capitalismo

Antonio Rodrigues Belon

Entre os salários e as horas de trabalho existiriam ligações inseparáveis. Quem compra quer as suas horas. Quem vende não pode negar as horas de sua vida. Simplesmente assim nas condições do capitalismo.

O trabalho assalariado vem, historicamente, depois do trabalho escravo e do trabalho servil.

Os trabalhadores vivem a vida cinzenta e repetitiva dos explorados e dos oprimidos. Hoje em dia também? Mais do que nunca. A ameaça de cair no abismo da miséria escancara sua boca malévola.

Defender um pedaço de pão é viver. Nada mais a esperar. Aumentar ou melhorar o pão, num salto qualitativo é uma possibilidade em fuga constante.

Que reivindicações surgem do ponto de vista dos assalariados? Enumerar abstratamente não é possível nem cabível.

Nas circunstâncias concretas, determinadas, as reivindicações ganham corpo e expressão. Nas dimensões nacionais, locais, profissionais e outras.

Mas dois males fundamentais atingem os assalariados em todos os lugares e tempos onde vivem. Um deles é a crescente ameaça de desemprego. O segundo problema um dia foi identificado como a carestia; hoje atende por nomes e disfarces os mais variados, mas continua a espalhar a infelicidade entre os assalariados.

A política dos capitalistas encontra aliados entre os reformistas. Os males das crises capitalistas não encontram solução no interior deste sistema. No entanto, os reformistas de toda ordem aliam-se aos capitalistas nas desesperadas ações de manutenção de tudo como está. Isto resulta no continuo adiamento das lutas legítimas dos assalariados.

Muitos assalariados transformam-se em desempregados crônicos. Numa sociedade fundada na exploração o direito ao trabalho é único. Se a cada instante este direito lhe é tirado, como fica o assalariado?

O desemprego é estrutural. Faz parte do mesmo sistema onde existe o emprego. O trabalho assalariado sustenta a permanência e a reprodução do capitalismo.

No interior do capitalismo, a melhor administração do trabalho assalariado se perde. O período atual é de catástrofes.

Os proprietários e seus assessores vivem falando na impossibilidade das reivindicações dos assalariados. Eles exibem os seus livros de contabilidade.

A vida dos assalariados importa pouco; a morte importa nada. Vale tudo para preservar a escravidão capitalista.

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