64 anos da Revolução Boliviana (Vídeo)

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Waldo Mermelstein  |

Esta semana comemora-se o inicio da maior revolução da América Latina contemporânea, ocorrida em 9 de abril de 1952, na Bolívia. Sua origem se encontram em um golpe militar fracassado, que tinha como objetivo impedir a posse do presidente eleito, Victor Paz Estenssoro, do Movimento Nacionalista Revolucionário. A reação popular, mesclada com soldados e oficiais dissidentes impediu que a esperada fácil vitória se desse.

A decisiva força entrou em cena nos dias subsequentes: os mineiros, vindo do altiplano, atacaram por trás e ajudaram a destruir as forças golpistas.

A força da revolução fez com que a única força com armas era a das milícias da Central Operária Boliviana, baseada no peso social tremendo dos mineiros organizados na Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros da Bolívia, cujo programa desde 1946 eram as Teses de Pulacayo (nome da mina em que se realizou o congresso que votou ditas teses). Essas teses, sob influência dos trotskistas do POR, estabeleciam que a única saída definitiva para o país era o socialismo e listavam as tarefas sociais e política para lá chegarem, inclusive a tomada do poder pelos trabalhadores.

O turbilhão revolucionário foi tal que significou a estatização dos chamados barões do estanho, Hoschild, Patiño e Aramayo, o que compreendia quase toda as exportações do país. Em 1953, todo o latifúndio do altiplano, onde os camponeses viviam explorados e em condições terríveis, foram abolidos. Mas, infelizmente, toda revolução que não avança, retrocede. Os revolucionários daquele momento vacilaram, entre apoiar criticamente o MNR ou optar pelo caminho independente. E a revolução pagou por isso. Pouco a pouco, a ordem burguesa foi restaurada. As forças armadas reconstruídas. O movimento sindical permaneceu em mãos do arqui pelego Juan Lechin Oquendo, a quem pude ver dirigindo plenárias dos mineiros décadas depois.

O documentário abaixo foi realizado por Carlos Meza, a quem conheci pessoalmente quando era diretor da Cinemateca, quando vivi em La Paz entre 1983 e 1985. Como acontece com muitos setores relativamente privilegiados em um país tão pobre como a Bolívia, ascendeu socialmente e se tornou presidente do país em 2003, quando as massas camponesas e mineiras retomaram as tradições da revolução de 1952 e cercaram La Paz e depuseram o presidente Gonzalo Sanchez de Losada, o Goni, após novos massacres cometidos contra os camponeses. Não havia a evolução da internet, mas pude acompanhar a emissão das rádios mineiras (outra conquista da revolução que não tinha sido extinta) e o momento emocionante quando os mineiros de Huanuni romperam o cerco militar e desceram sobre La Paz… a memória histórica do que ocorreu em 1952 aterrizou as classes dominantes, o imperialismo e o enviado brasileiro naquele momento e precipitou a fuga de Goni… Como vice-presidente, Meza assumiu e foi deposto de forma similar dois anos depois.

Com essas ressalvas, recomendo que se veja este vídeo, mesmo que seja feito em uma perspectiva favorável ao MNR, mas se pode ver como viviam e lutavam os mineiros e camponeses bolivianos. Se encontrar algum outro mais completo ou complementar postarei na sequência.

Homenageio na figura de Cesar Lora, dirigente trotskista boliviano, assassinado por milícias de direita durante uma das tantas ditaduras bolivianas em 1964 , a todos os que caíram lutando contra a burguesia local e o imperialismo.

 

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